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Política
Postada em 23/08/2026 18:33 | Atualizada em 23/08/2026 18:36 | Por Todo Segundo

MPE impugna candidatura de Yale Fernandes, vice de Renan Filho

Procuradoria questiona desincompatibilização do candidato nas funções na Prefeitura de Arapiraca
MPE impugna candidatura de Yale Fernandes, vice de Renan Filho ao Governo de Alagoas - Foto: Reprodução

O registro da candidatura de Yale Fernandes (MDB), escolhido para disputar o cargo de vice-governador na chapa encabeçada por Renan Filho (MDB), entrou no radar da Justiça Eleitoral. O Ministério Público Eleitoral (MPE/AL) pediu a impugnação da candidatura sob a alegação de que o político pode não ter deixado funções na Prefeitura de Arapiraca dentro dos prazos exigidos pela legislação.

A manifestação foi apresentada no sábado (22) pelo procurador regional eleitoral Marcial Duarte Coelho. O caso agora será analisado pela Justiça Eleitoral, que deverá avaliar os documentos e os argumentos apresentados pelas partes.

Segundo o MPE, Yale Fernandes ocupava o cargo de secretário executivo da Coordenação Geral de Articulação Institucional e teria sido exonerado com efeitos a partir de 1º de abril. O órgão, porém, afirma que não localizou a publicação do ato de exoneração no Diário Oficial dos Municípios.

Na sequência, o candidato teria passado a ocupar o cargo comissionado de assessor técnico especial I, vinculado à Secretaria Municipal de Planejamento e Orçamento. De acordo com a ação, a função tinha remuneração de aproximadamente R$ 11,8 mil, valor semelhante ao recebido anteriormente.

O Ministério Público questiona também os registros relacionados à nomeação e à exoneração dessa segunda função. Para o órgão, a documentação disponível não seria suficiente, neste momento, para demonstrar que houve afastamento efetivo das atividades públicas dentro dos prazos eleitorais.

Outro ponto levantado pelo MPE são registros públicos que, segundo a Procuradoria, indicariam que Yale Fernandes continuou sendo apresentado como secretário de Governo mesmo depois da exoneração informada.

Durante o São João de Arapiraca, o candidato apareceu em transmissões e entrevistas relacionadas à organização da programação, estrutura do evento e impactos econômicos da festa. Em algumas dessas ocasiões, teria sido identificado como secretário.

A Procuradoria também cita uma publicação oficial de 27 de junho na qual Yale Fernandes teria aparecido como secretário e representado o prefeito Luciano Barbosa em uma agenda institucional.

Outro episódio mencionado ocorreu em 27 de julho, durante uma agenda em Arapiraca com o ministro dos Transportes, George Santoro. Yale Fernandes aparece em imagens ao lado de autoridades durante discussões relacionadas a obras de infraestrutura.

O MPE ressalta que as aparições públicas, isoladamente, não comprovariam a permanência no cargo. No entanto, segundo o órgão, os registros ganham relevância quando analisados em conjunto com os demais elementos reunidos no processo.

Na avaliação apresentada pelo Ministério Público, Yale Fernandes deveria ter deixado a função de secretário até 4 de abril, considerando o prazo de seis meses antes da eleição.

Já em relação ao cargo de assessor técnico especial, o prazo indicado pelo MPE seria 4 de julho.

A Procuradoria sustenta que existem dúvidas sobre o afastamento efetivo dentro dessas datas e pediu que a Prefeitura de Arapiraca apresente os atos de nomeação e exoneração, além das respectivas publicações oficiais.

O órgão também solicitou documentos, fotografias, vídeos, relatórios e outros elementos que possam ajudar a esclarecer se houve ou não continuidade do exercício de funções públicas.

O MDB de Alagoas reagiu neste domingo (23) e afirmou que a candidatura de Yale Fernandes está regular. O partido contesta a interpretação apresentada pelo Ministério Público e diz que o candidato cumpriu todos os prazos de desincompatibilização.

Segundo a legenda, Yale Fernandes deixou o cargo de secretário municipal em 1º de abril, antes do prazo final de 4 de abril. O partido cita a Portaria GP nº 311/2026 como comprovação da exoneração.

O MDB também afirma que Yale Fernandes foi exonerado do cargo de assessor técnico especial por meio da Portaria GP nº 855/2026 e sustenta que todos os atos administrativos foram formalizados e documentados.

A legenda argumenta ainda que os registros do Portal da Transparência e os atos administrativos demonstrariam que não houve pagamento de remuneração após o desligamento definitivo.

Partido rebate uso do título de secretário

Sobre as aparições públicas nas quais Yale Fernandes teria sido chamado de “secretário de Governo”, o MDB afirma que a forma de tratamento não comprova que ele continuava exercendo a função.

Na nota, o partido compara a situação ao tratamento dado socialmente a ex-presidentes, ex-governadores, ex-ministros e ex-prefeitos que continuam sendo identificados pelos cargos que ocuparam.

Para o MDB, trata-se de uma forma de identificação ou cortesia, sem efeito jurídico sobre a situação funcional do candidato.

A legenda afirma ainda que não existe ato assinado, despacho, remuneração ou outro elemento que demonstre que Yale Fernandes tenha exercido o cargo de secretário após a exoneração.

O MDB informou que apresentará à Justiça Eleitoral toda a documentação que considera necessária para comprovar a regularidade da candidatura.

O Ministério Público Eleitoral, por outro lado, pede que a Justiça reconheça eventual inelegibilidade caso fique comprovado que Yale Fernandes não se afastou das funções públicas nos prazos determinados pela legislação.

A decisão final caberá à Justiça Eleitoral, que deverá analisar os atos administrativos, os registros funcionais e os demais elementos apresentados no processo antes de decidir sobre o registro da candidatura de Yale Fernandes a vice-governador.

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