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Coisa da Política

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Postada em 28/06/2026 23:59 | Atualizada em 29/06/2026 00:03

Chapa puro-sangue? Rafael Brito surge como peça-chave no projeto de Renan Filho

A grande dúvida não é Rafael Brito. É Marcelo Victor aceitar perder espaço
Rafael Brito surge como peça-chave no projeto de Renan Filho - Foto: Reprodução

Na política, confiança vale tanto quanto voto. E, quando o assunto é o grupo liderado pelos Calheiros, essa máxima parece ganhar ainda mais força.

É justamente por isso que cresce, nos bastidores, uma hipótese que até pouco tempo parecia apenas conversa de corredor: a possibilidade de o deputado federal Rafael Brito aparecer como candidato a vice na chapa encabeçada por Renan Filho.

Oficialmente, ninguém confirma. Extraoficialmente, pouca gente descarta.

A lógica política existe — e faz sentido.

Os Calheiros sempre demonstraram enorme resistência em entregar espaços estratégicos a aliados que não pertençam ao seu núcleo de absoluta confiança. Não se trata apenas de aliança partidária. Trata-se de convivência, lealdade e previsibilidade.

E Rafael Brito reúne exatamente essas características.

Sua trajetória política foi construída dentro da órbita do grupo de Murici. É um nome formado politicamente na "cozinha" do clã, alguém que conhece o funcionamento interno do grupo e, principalmente, desperta confiança entre aqueles que comandam as principais decisões.

Se a chapa vier a ser formada por Renan Filho e Rafael Brito, dificilmente alguém poderá dizer que haverá divisão de comando.

Seria uma chapa puro-sangue.

Muito semelhante ao modelo utilizado em 2014, quando o controle político permaneceu integralmente dentro do mesmo grupo.

Mas, como toda movimentação política, existe um preço.

Esse desenho só faria sentido caso houvesse um entendimento político sólido com o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor, e com o governador Paulo Dantas, hoje os principais fiadores do PSD em Alagoas.

E é justamente aí que mora a grande questão.

Nos bastidores, a avaliação é que um eventual deslocamento de Rafael Brito para a vice abriria espaço para o PSD ampliar sua bancada federal.

Hoje, a expectativa é de eleger dois deputados.

Sem Brito disputando a reeleição, surgiria a possibilidade de o partido buscar uma terceira vaga, fortalecendo ainda mais Marcelo Victor e Paulo Dantas em Brasília.

Ou seja, todos ganhariam alguma coisa.

Os Calheiros manteriam controle absoluto da chapa majoritária.

O PSD aumentaria sua força na Câmara dos Deputados.

O grupo governista seguiria unido para enfrentar a oposição.

Na teoria, parece um acordo perfeito.

Na prática, talvez não seja tão simples.

Marcelo Victor construiu, ao longo dos últimos anos, uma imagem de principal articulador da política alagoana. É ele quem costura alianças, administra crises e exerce influência sobre a maior parte da base governista.

Aceitar uma chapa totalmente controlada pelos Calheiros poderia ser interpretado como um recuo em seu protagonismo estadual.

Não necessariamente uma derrota.

Mas certamente uma redistribuição de poder.

A pergunta que circula entre políticos e observadores é inevitável: até que ponto Marcelo Victor estaria disposto a abrir mão de parte desse protagonismo local em troca de um PSD mais forte nacionalmente?

E existe outra dúvida igualmente importante.

Como reagiria sua base política?

Prefeitos, deputados e lideranças municipais que hoje gravitam em torno de Marcelo Victor aceitariam naturalmente um cenário em que o centro das decisões voltasse a ficar ainda mais concentrado no núcleo histórico dos Calheiros?

São perguntas que, por enquanto, permanecem sem resposta.

A menos de 100 dias eleções as conversas deixaram de ser simples especulações e passaram a integrar o planejamento estratégico dos principais grupos políticos do Estado.

Na política, quase nunca os primeiros movimentos revelam o destino final da partida.

Mas ajudam a mostrar quem está tentando controlar o tabuleiro.

Se Rafael Brito realmente surgir como vice de Renan Filho, dificilmente será apenas uma escolha de composição eleitoral.

Será uma demonstração clara de que, quando chega a hora das decisões mais importantes, os Calheiros continuam apostando em quem conhece — e confia.

A bola segue girando sobre a mesa.

E, em Alagoas, os próximos movimentos prometem dizer muito mais sobre quem comandará o jogo do que sobre quem apenas disputará a eleição.

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