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Coisa da Política

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Postada em 04/08/2026 12:37

Quem quer muito pode ficar sem nada: a ambição de JHC pode custar caro

Ex-prefeito quer Governo, mãe no Senado e esposa na Câmara: será que sobra espaço para os aliados?
JHC quer Governo, mãe no Senado e esposa na Câmara - Foto: Reprodução

O ditado popular diz que “quem quer muito pode ficar sem nada”. Na política alagoana, a frase serve como alerta para o projeto eleitoral que vem sendo desenhado pelo ex-prefeito de Maceió JHC (PSDB) para as eleições deste ano.

O projeto é é ambicioso: JHC quer disputar o Governo de Alagoas; sua mãe, Eudócia Caldas, é apontada para uma das vagas ao Senado; e sua esposa, Marina Candia, aparece na composição para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

São três candidaturas ligadas diretamente ao mesmo núcleo familiar, mirando três espaços importantes da política alagoana.

O problema é que, além de votos, uma eleição majoritária exige alianças. E essas alianças precisam acomodar interesses de outros partidos e lideranças.

É justamente nesse ponto que o projeto de JHC começa a enfrentar dificuldades.

Na convenção da Federação União Progressista, realizada no último domingo (2), em Maceió, Arthur Lira (PP) consolidou sua candidatura ao Senado.

Ao mesmo tempo, Lira afirmou que o grupo formado por União Brasil, Progressistas e PL está disposto a apoiar JHC na disputa pelo Governo de Alagoas.

A condição, porém, é clara: o grupo também quer espaço na chapa majoritária.

E o espaço que Arthur Lira reivindica é justamente uma das duas vagas ao Senado.

O PSDB, por sua vez, trabalha com JHC para o Governo e Eudócia Caldas no Senado.

É aí que a conta começa a não fechar.

“O PSDB está conversando, só que o pleito do PSDB hoje a gente entende como inacessível. Qual é o pleito? Uma vaga de governador e uma vaga de senador”, afirmou Lira.

O deputado não fechou a porta para JHC. Pelo contrário.

“Estamos à disposição para somarmos na chapa do candidato do PSDB. A vontade depende dele e nós acreditamos que ele pode ocupar a cadeira de governador”, disse.

Mas também deixou claro que não pretende abrir mão do Senado.

“Se o PSDB quiser ocupar a cadeira de governador e de senador, vai ser muito difícil. Vamos continuar dialogando. Vamos discutir, mas não ficaremos à disposição.”

O projeto de JHC 

O cenário eleitoral desenhado pelo grupo do ex-prefeito é ambicioso.

JHC pretende disputar o Governo de Alagoas.

Sua mãe, Eudócia Caldas, aparece como opção para o Senado.

E sua esposa, Marina Candia, está colocada no projeto para disputar uma vaga de deputada federal.

Na prática, são três nomes de um mesmo núcleo familiar buscando espaços diferentes na estrutura política do Estado.

Do ponto de vista eleitoral, isso pode representar força de um grupo já consolidado.

Mas, do ponto de vista da construção de alianças, também pode gerar resistência.

A pergunta que os demais partidos podem fazer é simples: quanto espaço sobrará para os aliados?

Enquanto JHC não foi, Lira reuniu aliados

JHC não participou da convenção do último domingo.

Arthur Lira, por outro lado, reuniu aliados, consolidou sua candidatura ao Senado e recebeu manifestações públicas de apoio de integrantes do PL.

Entre eles estava Leonardo Dias, que fez questão de destacar a participação de Lira na articulação de recursos para Maceió durante a gestão de JHC.

Leonardo citou praças reformadas, o Hospital da Cidade e o acordo relacionado à Braskem.

“Se hoje Maceió tem praça reformada, é porque tem o dedo do Arthur Lira”, afirmou.

O vereador também declarou:

“Se tem hospital da cidade, é porque tem o dedo do Arthur Lira através do trabalho dele com a Braskem, do acordo da Braskem, que sem você não teria saído.”

A fala coloca Arthur Lira dentro da narrativa de investimentos realizados em Maceió durante a administração de JHC.

E isso pode ser relevante para a campanha ao Senado, especialmente porque o eleitor da capital representa uma parcela importante do eleitorado alagoano.

Lira não parece disposto a esperar

O recado de Arthur Lira foi direto.

Ele quer JHC no Governo, mas não pretende aceitar uma composição na qual o PSDB fique também com a vaga ao Senado.

Caso não haja acordo, Lira já admitiu que a Federação União Progressista poderá apresentar um candidato próprio ao Governo.

Ou seja, JHC tem uma porta aberta para receber o apoio de um grupo político forte, mas precisa dividir a composição.

E é exatamente nesse ponto que a negociação pode se complicar.

O risco de querer tudo

Na política, ninguém entra em uma aliança apenas para ajudar o outro.

Arthur Lira quer o Senado.

O PL quer espaço.

A Federação União Progressista precisa acomodar suas lideranças.

E JHC quer o Governo.

Ao mesmo tempo, Eudócia Caldas aparece no projeto para o Senado e Marina Candia para a Câmara Federal.

Não se trata de dizer que uma família não possa ter mais de um candidato. Pode.

O problema é convencer os demais partidos de que uma composição tão concentrada também pode atender aos interesses de quem está do outro lado da mesa.

E é aí que o velho ditado volta a fazer sentido:

quem quer muito pode acabar ficando sem nada.

JHC ainda tem espaço para negociar e reorganizar o projeto.

Mas o relógio eleitoral está correndo, as candidaturas começam a ser definidas e Arthur Lira já deixou claro que não pretende esperar indefinidamente.

O ex-prefeito quer o Governo.

Sua mãe é apontada para o Senado.

Sua esposa mira a Câmara Federal.

E Arthur Lira quer o Senado.

Se não houver espaço para todos, alguém terá de ceder.

E, na política, quem não sabe a hora de dividir pode descobrir que querer tudo é o caminho mais rápido para terminar sem o principal.

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