
Tem uma coisa que deve estar tirando o sono de muita gente na oposição em Palmeira dos Índios: o FIPI não acabou.
Pelo contrário.
O festival está acontecendo, a cidade está movimentada, o público está nas ruas e o projeto criado por Júlio Cezar continua de pé. E não apenas continua: agora acontece sob a gestão de Tia Júlia, tia de Júlio Cezar e integrante do mesmo grupo político.
É aí que mora o problema.
Para quem torcia para que o FIPI fracassasse, talvez a cena de Palmeira dos Índios neste fim de semana seja difícil de engolir.
Porque não há discurso de oposição que consiga competir com uma praça cheia.
Não há postagem em rede social que consiga fazer desaparecer uma multidão.
E não há narrativa política capaz de convencer o comerciante que está vendendo, o ambulante que está trabalhando ou o cidadão que saiu de casa para curtir o festival de que aquilo não está acontecendo.
Está acontecendo. E está acontecendo justamente na gestão do mesmo grupo que criou o evento.
Júlio Cezar idealizou o FIPI. Tia Júlia deu continuidade. E essa continuidade talvez seja o detalhe que mais incomode quem apostou que o projeto não sobreviveria.
Porque seria muito mais confortável para a oposição se o festival tivesse fracassado.
Seria perfeito para o discurso político.
Mas a realidade é inconveniente.
O FIPI está aí.
E quando a realidade não ajuda a narrativa, resta tentar atacar a narrativa.
A oposição pode até não gostar. Mas o povo gosta.
Essa talvez seja a parte mais cruel para quem tenta transformar o festival em um problema político.
O povo não precisa pedir autorização para gostar de uma festa.
Quem vai ao FIPI não está necessariamente preocupado com quem é aliado de quem. Quer música, diversão, segurança, organização e uma cidade movimentada.
Enquanto membros da oposição fazem conta política, outros fazem fila para entrar.
Enquanto membros da oposição procuram uma frase para atacar o festival, outros procuram um lugar para estacionar.
Enquanto membros da oposição torcem para encontrar um fracasso, o comércio torce para vender mais.
É a velha diferença entre quem observa a política do palanque e quem vive a cidade nas ruas.
E é justamente aí que mora a questão: quanto mais o festival cresce, mais difícil fica atacá-lo.
Se critica a existência do evento, está criticando uma festa que movimenta a cidade.
Se critica a programação, está torcendo contra.
E se o festival lota?
Aí complica.
Porque uma imagem vale mais do que mil discursos.
Uma multidão reunida no FIPI não pergunta em quem o crítico vota.
Ela simplesmente está lá.
E talvez seja justamente essa a fotografia que a oposição não queria ver.
O FIPI tem nome e sobrenome na história de Palmeira
Não adianta tentar apagar.
O FIPI foi criado por Júlio Cezar.
Hoje, é realizado por Tia Júlia.
São momentos diferentes, mas dentro do mesmo grupo político.
E isso precisa ser dito sem medo de patrulhamento político: quando um projeto dá certo, reconhecer sua autoria não deveria ser pecado.
Júlio Cezar merece o crédito por ter criado.
Mas existe uma verdade que parece incomodar mais do que qualquer outra: o projeto que a oposição talvez quisesse ver morrer está vivo.
Talvez seja por isso que o FIPI esteja fazendo tanto barulho.
Não apenas nos palcos.
Mas também nos bastidores da política.
Porque, para desespero de quem torce pelo contrário, o FIPI acontece. E, enquanto o povo continuar ocupando as ruas, não será um discurso de oposição que vai apagar isso.

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