
Em uma democracia saudável, a fiscalização do poder público é indispensável. Questionar decisões, apontar falhas, cobrar resultados e exigir transparência fazem parte do papel de qualquer representante político comprometido com a população. O problema surge quando a crítica deixa de ser instrumento de controle social e passa a ser utilizada como ferramenta de destruição.
Nos últimos anos, as redes sociais criaram um ambiente onde a indignação permanente virou produto. Alguns personagens perceberam rapidamente que a polêmica gera curtidas, o conflito aumenta o alcance e os ataques pessoais produzem engajamento. A partir daí, muitos abandonaram o debate sério para investir na espetacularização da política.
Quando tudo é tratado como escândalo, nada mais é levado verdadeiramente a sério.
A crítica responsável apresenta fatos, propõe soluções e busca melhorar a realidade. Já a destruição sistemática vive da desinformação, das insinuações e da tentativa constante de desgastar reputações. Não há interesse em construir. O objetivo passa a ser apenas alimentar uma audiência que foi condicionada a consumir revolta diariamente.
Mas existe uma armadilha nesse caminho.
Quem transforma a própria atividade em uma fábrica permanente de indignação acaba se tornando prisioneiro do personagem que criou. A necessidade de manter o público mobilizado exige doses cada vez maiores de conflito. O discurso se radicaliza, os ataques se intensificam e a verdade passa a ser um detalhe secundário diante da busca por visibilidade.
Nesse processo, muitos recebem aplausos, apoio e até financiamento de grupos que enxergam vantagens políticas momentâneas. Enquanto são úteis, recebem incentivo. Enquanto servem a determinados interesses, são tratados como heróis da causa.
A história, porém, costuma ser implacável com aqueles que confundem popularidade momentânea com relevância permanente.
Os grupos que patrocinam o conflito geralmente dividem os ganhos políticos, mas raramente assumem os custos quando a conta chega. Quando surgem processos, desgastes, isolamento ou perda de credibilidade, cada um segue seu caminho. O influenciador da crise permanece sozinho diante das consequências dos próprios excessos.
Existe uma lição importante nisso tudo: a política pode ser feita com firmeza sem abrir mão da responsabilidade. É possível fazer oposição sem praticar perseguição. É possível denunciar erros sem destruir pessoas. É possível discordar sem transformar o adversário em inimigo.
A sociedade precisa de mais fiscalização e menos espetáculo. Mais propostas e menos ataques. Mais compromisso com a verdade e menos dependência do algoritmo.
Porque, no fim das contas, quem constrói deixa legado. Quem vive da destruição acaba sendo consumido por ela.

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