19/10/2026 17:01:05
Justiça
Caso Rhavy: testemunhas relatam agressões contra menino de 2 anos
Testemunhas mencionaram supostas agressões anteriores à morte do menino em Maceió
Anderson Macena / MPALTestemunhas relatam supostas agressões contra menino Rhavy
Todo Segundo

O julgamento de Nicole Maria de Lima Braga e Manoel Pedro Tavares de Souza, mãe e padrasto do menino Rhavy Abraão Alves de Lima, de dois anos, teve novos depoimentos nesta segunda-feira (19), em Maceió. Durante a sessão, três testemunhas relataram informações sobre o ambiente familiar da criança e mencionaram episódios de possíveis agressões que teriam ocorrido antes da morte do menino, registrada em maio de 2025.

As oitivas foram realizadas no Fórum da Capital, no bairro Barro Duro, sob a condução do juiz Geraldo Amorim, da 9ª Vara Criminal de Maceió. O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) acompanha o julgamento e busca a condenação dos dois réus por homicídio qualificado.

Uma das testemunhas, Williams da Silva Braga, afirmou que nunca presenciou diretamente as agressões, mas disse ter ouvido relatos de vizinhos sobre supostos episódios de violência contra as crianças. Ele também contou que viu Rhavy com os olhos avermelhados e que, ao perguntar à mãe sobre o que havia acontecido, recebeu a explicação de que o menino teria colocado cola nos próprios olhos.

Durante o depoimento, Williams afirmou que a criança estaria com os dois olhos colados. Segundo ele, a situação despertou questionamentos, mas Nicole teria mantido a versão de que o próprio filho provocou o episódio.

A testemunha também descreveu o casal como pouco sociável e afirmou que ambos faziam uso de drogas. Sobre a noite anterior à morte de Rhavy, relatou que os dois teriam consumido bebida alcoólica, citando publicações feitas nas redes sociais.

Ao falar sobre as circunstâncias posteriores à morte, Williams disse que ouviu do padrasto uma versão segundo a qual ele estaria dormindo quando foi acordado por Levi, que teria percebido que a criança apresentava um comportamento estranho.

A testemunha também relatou que, dias depois, Nicole teria levantado a hipótese de que uma terceira pessoa poderia ter entrado na residência pelo muro. Williams mencionou ainda comentários de vizinhos sobre supostas agressões anteriores contra o menino.

Avó diz que nunca presenciou agressões do padrasto

A segunda testemunha ouvida foi Valéria Costa Lima, avó materna de Rhavy. Ela afirmou que teve pouco contato com o padrasto da criança, descrevendo-o como uma pessoa reservada, que costumava permanecer no quarto.

Valéria disse que nunca presenciou situações em que ele maltratasse o menino ou os irmãos. Apesar disso, ao ser questionada sobre quem acreditava ser responsável pela morte da criança, afirmou suspeitar do ex-genro.

A avó também apresentou informações sobre a rotina da filha no dia do ocorrido. Segundo o relato, Nicole teria dito que alimentou as crianças e as colocou para dormir antes de sair. Valéria afirmou que a filha costumava trabalhar como garçonete, mas que, naquele dia, não teria ido ao trabalho.

O depoimento apresentou, assim, informações sobre a rotina familiar e a versão relatada pela mãe após a morte do menino, sem que a avó tenha afirmado ter presenciado diretamente o que aconteceu dentro da residência.

Testemunha relata supostas agressões anteriores

A terceira testemunha, Marilza Silva, afirmou que Nicole lhe contou que Rhavy estava brincando com os irmãos na sala quando teria tropeçado em um tapete e batido a cabeça no chão.

Marilza também relatou que, em outra ocasião, soube pela mãe que o menino havia caído da cama. Segundo a testemunha, Nicole teria dito que deu refrigerante à criança e depois a colocou para dormir.

Ao falar sobre o comportamento da ré após o sepultamento, Marilza afirmou que Nicole demonstrou tristeza durante o enterro, mas que, posteriormente, teria aparentado normalidade. A testemunha também criticou a atitude da mãe ao mostrar fotografias da criança no Instituto Médico Legal (IML).

O depoimento incluiu ainda uma afirmação sobre possíveis agressões anteriores. Marilza disse que teria visto Nicole bater em Rhavy, puxá-lo pelo braço e colocá-lo para dentro de casa quando a família morava em outro imóvel.

Em relação ao padrasto, a testemunha afirmou que nunca o viu maltratar a criança e disse não ter conhecimento de que ele sentisse ciúmes do menino.

As declarações das três testemunhas foram divulgadas pela assessoria de comunicação do Ministério Público, que acompanha presencialmente a sessão do Tribunal do Júri.

O julgamento segue com as manifestações das defesas dos acusados. A responsabilidade criminal dos réus será definida no processo judicial.

Relembre o caso

Rhavy Abraão Alves de Lima, de dois anos, foi encontrado morto em 13 de maio de 2025, em uma residência no Povoado Boca do Rio, na região de Garça Torta, em Maceió. A criança apresentava múltiplos hematomas pelo corpo.

Na ocasião, Nicole abordou uma viatura da Polícia Militar e pediu socorro para o filho. Os policiais foram até a residência e encontraram o menino sem sinais vitais. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e confirmou a morte.

No dia seguinte, o delegado Emanuel Rodrigues, da Unidade de Atendimento de Local de Crime (UALC), da Polícia Civil de Alagoas, informou que o corpo apresentava uma lesão de aproximadamente 12 por 8 centímetros na região da coluna. De acordo com as informações divulgadas pela investigação, o ferimento provocou uma hemorragia hepática, apontada como causa da morte.

O Ministério Público de Alagoas defende a condenação da mãe e do padrasto por homicídio qualificado. A acusação sustenta a existência de três qualificadoras: motivo do crime, emprego de meio cruel e utilização de recurso que teria dificultado ou impossibilitado a defesa da vítima.

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