
Alagoas apresentou melhora na taxa de desemprego no segundo trimestre de 2026, mas os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (14), mostram que o mercado de trabalho alagoano ainda enfrenta dificuldades. Entre abril e junho, cerca de 105 mil pessoas estavam desocupadas, enquanto o Estado registrou uma taxa de desocupação de 7,9%, bem acima da média nacional, que ficou em 5,4%.
O índice caiu 1,3 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre, quando a taxa havia chegado a 9,2%. Apesar da redução, o resultado praticamente não mudou na comparação anual: no segundo trimestre de 2025, a taxa era de 7,5%, considerada estatisticamente estável pelo levantamento.
O cenário coloca Alagoas entre os estados com maior dificuldade de inserção no mercado de trabalho. O Estado ficou atrás apenas de Amapá, com 9,8%, e Bahia, com 9,1%, entre as maiores taxas de desocupação do país.
Subutilização ainda preocupa
Outro indicador reforça o tamanho do desafio. A taxa de subutilização da força de trabalho ficou em 23,4% em Alagoas.
Apesar da queda em relação aos 26,1% registrados no trimestre anterior, o percentual mantém o Estado na terceira posição entre as maiores taxas do Brasil, atrás do Piauí, com 26,6%, e da Bahia, com 24%.
Na prática, aproximadamente 348 mil alagoanos estavam em situação de subutilização da força de trabalho no período. O número inclui pessoas desempregadas, trabalhadores que gostariam de trabalhar mais horas e aqueles que poderiam trabalhar, mas não estavam disponíveis ou não haviam procurado emprego nas condições consideradas pela pesquisa.
Informalidade atinge mais de meio milhão
O levantamento também expõe outro problema do mercado de trabalho alagoano: a informalidade.
Cerca de 528 mil trabalhadores estavam na informalidade no segundo trimestre. Enquanto isso, aproximadamente 353 mil pessoas ocupadas tinham carteira assinada no setor privado.
O rendimento médio real habitual ficou em R$ 2.578, sem alteração estatisticamente significativa tanto em relação ao trimestre anterior quanto na comparação com o mesmo período de 2025.
Ou seja, mesmo com a redução do desemprego, os dados não apontam para uma melhora expressiva da renda dos trabalhadores alagoanos.
Poucos setores tiveram reação
O nível geral de ocupação em Alagoas ficou em 47,5%, sem variação estatisticamente significativa em relação ao primeiro trimestre de 2026 ou ao segundo trimestre do ano passado.
Entre os setores analisados pelo IBGE, somente alojamento e alimentação apresentou aumento estatisticamente significativo no número de pessoas ocupadas.
Na agricultura e pecuária, indústria, construção e transporte, não foram identificadas mudanças estatisticamente significativas.
Os números revelam, portanto, um mercado de trabalho que conseguiu reduzir o desemprego no curto prazo, mas ainda convive com baixa ocupação, elevada informalidade, renda praticamente estagnada e uma das maiores taxas de subutilização do país.
Para o governo de Alagoas, o resultado representa um ponto de pressão: embora a taxa de desocupação tenha recuado, o Estado permanece distante da média nacional e continua entre os líderes em indicadores que mostram dificuldades de acesso a empregos e aproveitamento da força de trabalho.
A PNAD Contínua é a principal pesquisa do IBGE sobre o mercado de trabalho e acompanha, entre outros indicadores, ocupação, desocupação, rendimento e informalidade em todo o país.

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